Queda de cabelo pelas canetas emagrecedoras: O que fazer?

Gláucia Labinas • 23 de setembro de 2026

Por Dra. Gláucia Labinas, especialista em dermatologia, CRM 150.722 RQE 51968


A queda de cabelo pelas canetas emagrecedoras
pode ocorrer em algumas pessoas, mas geralmente não é um efeito direto do medicamento. Na maioria dos casos, a perda acelerada de peso, mudanças nutricionais, redução da ingestão de proteínas, vitaminas e minerais, além do estresse metabólico causado pelo emagrecimento rápido, são os principais fatores envolvidos. Identificar a causa é fundamental para definir a melhor conduta.


O aumento do uso das chamadas canetas emagrecedoras despertou dúvidas que vão além da perda de peso. Entre elas, uma das mais frequentes é a relação entre esses medicamentos e a queda de cabelo. Afinal, esse efeito realmente existe? É permanente? Pode ser evitado?


Continue a leitura
e entenda neste artigo por que algumas pessoas apresentam queda capilar durante o tratamento, quais fatores aumentam esse risco, como diferenciar uma queda temporária de outros tipos de alopecia e quando procurar avaliação dermatológica.


O que são as canetas emagrecedoras?


As chamadas canetas emagrecedoras são
medicamentos injetáveis utilizados no tratamento da obesidade e, dependendo do princípio ativo e da indicação, também no controle do diabetes tipo 2. Entre os medicamentos mais conhecidos estão a semaglutida, a liraglutida e a tirzepatida.


Essas substâncias atuam em mecanismos envolvidos no
controle da fome, da saciedade e da glicose no sangue. A tirzepatida age em duas vias hormonais, relacionadas ao GLP-1 e ao GIP, enquanto a semaglutida e a liraglutida atuam principalmente sobre o receptor de GLP-1.


Entre os efeitos esperados estão:


  • Redução do apetite
  • Aumento da sensação de saciedade
  • Esvaziamento mais lento do estômago
  • Diminuição da quantidade de alimentos consumidos


Como consequência dessas mudanças, algumas pessoas apresentam uma perda de peso importante, especialmente quando o tratamento é associado a
acompanhamento médico, alimentação adequada e mudanças de hábitos.



As canetas emagrecedoras causam queda de cabelo?


As canetas emagrecedoras
podem estar associadas à queda de cabelo, mas nem sempre existe uma ação direta do medicamento sobre o folículo capilar.


Na prática, a perda dos fios costuma estar mais relacionada às mudanças que acompanham o emagrecimento, como redução rápida do peso, ingestão insuficiente de nutrientes, perda de massa magra e estresse metabólico.
O organismo precisa se adaptar a uma nova disponibilidade de energia e nutrientes, o que pode interferir temporariamente no ciclo de crescimento dos cabelos.


O mesmo tipo de queda pode acontecer após dietas muito restritivas, cirurgias bariátricas, doenças prolongadas ou outras situações que provocam perda importante de peso.


Por isso, a
queda de cabelo durante o uso das canetas emagrecedoras deve ser avaliada de forma individualizada. É importante considerar a velocidade do emagrecimento, a alimentação, o histórico de saúde e a presença de outras condições capilares.


Por que o emagrecimento rápido pode provocar queda de cabelo?


Uma perda rápida e significativa de peso representa uma mudança importante para o organismo. Quando há redução intensa na ingestão de calorias ou nutrientes,
o corpo pode priorizar funções vitais e diminuir temporariamente a quantidade de energia direcionada ao crescimento dos fios.


O cabelo não é essencial para a manutenção imediata da vida. Por esse motivo, alterações metabólicas, deficiências nutricionais e períodos de grande estresse físico podem interromper precocemente a fase de crescimento capilar.


Esse processo pode desencadear o eflúvio telógeno, uma das causas mais frequentes de queda difusa dos cabelos.


O que é eflúvio telógeno?


O eflúvio telógeno é uma
alteração do ciclo capilar em que uma quantidade maior de fios passa antecipadamente da fase de crescimento para a fase de repouso e queda.


Em condições normais, os fios se encontram em diferentes etapas do ciclo capilar. No eflúvio telógeno, muitos cabelos entram na fase de queda ao mesmo tempo, fazendo com que a perda fique mais evidente durante o banho, ao pentear, no travesseiro ou ao passar as mãos pelos cabelos.


Entre os possíveis fatores desencadeantes estão:


  • Emagrecimento acelerado
  • Dietas muito restritivas
  • Cirurgias
  • Febre alta
  • Infecções
  • Parto
  • Estresse físico ou emocional intenso
  • Deficiências nutricionais
  • Alterações hormonais
  • Uso ou suspensão de alguns medicamentos


A queda costuma ocorrer de maneira
difusa, sem formar uma falha única e bem delimitada. Mesmo assim, o eflúvio pode tornar mais visível uma alopecia que já existia antes, especialmente em pessoas com predisposição à calvície.


Quais deficiências nutricionais podem contribuir para a queda?


Nem toda pessoa que utiliza canetas emagrecedoras desenvolve deficiências nutricionais. O risco aumenta quando a redução do apetite leva a uma
alimentação muito limitada, pouco variada ou insuficiente para as necessidades do organismo.


Alguns nutrientes têm participação direta na formação dos fios e no funcionamento adequado do folículo capilar, como:


  • Proteínas
  • Ferro
  • Zinco
  • Vitamina D
  • Vitamina B12
  • Ácido fólico


A
proteína merece atenção especial porque o cabelo é formado principalmente por queratina, uma proteína produzida pelo organismo. Quando a ingestão proteica fica muito abaixo do necessário, a qualidade e o crescimento dos fios podem ser prejudicados.


A presença de uma deficiência não deve ser presumida apenas pela queda. A suplementação sem necessidade também pode causar problemas, e o excesso de determinados nutrientes pode até piorar a perda capilar. A decisão de suplementar deve vir de um
acompanhamento médico após considerar a alimentação, a história clínica e, quando indicado, os resultados dos exames.


Em quanto tempo a queda costuma aparecer?


A queda relacionada ao eflúvio telógeno geralmente não começa nos primeiros dias de uso da medicação.


Existe um intervalo entre o fator desencadeante e a perda visível dos fios. O cabelo passa por uma
fase de transição antes de se desprender do couro cabeludo. Por isso, a queda pode aparecer cerca de dois a quatro meses depois do início do emagrecimento rápido, de uma dieta muito restritiva ou de outra alteração relevante no organismo.


Esse intervalo pode dificultar a identificação da causa. Muitas pessoas percebem a queda meses após começar o tratamento e concluem que o medicamento atacou diretamente o cabelo. Entretanto, o quadro pode representar uma resposta tardia do ciclo capilar às mudanças metabólicas e nutricionais ocorridas anteriormente.


Toda queda durante o tratamento significa um problema?


Nem toda queda representa uma doença grave ou uma lesão permanente do folículo. O eflúvio telógeno costuma ser temporário e pode melhorar quando o organismo se estabiliza e os fatores desencadeantes são corrigidos.


Ainda assim,
uma queda intensa, persistente ou diferente do padrão habitual não deve ser ignorada. O uso da caneta emagrecedora pode coincidir com outras condições que também causam perda ou afinamento dos fios.


Entre as possibilidades que precisam ser consideradas estão:


  • Alopecia androgenética, conhecida como calvície
  • Alterações da tireoide
  • Anemia e deficiência de ferro
  • Deficiências vitamínicas
  • Doenças autoimunes
  • Alterações hormonais
  • Inflamações no couro cabeludo
  • Efeitos de outros medicamentos


A queda difusa típica do eflúvio pode ocorrer junto com o afinamento progressivo dos fios provocado pela
alopecia androgenética. Quando essas duas condições se sobrepõem, o paciente pode perceber uma redução mais intensa do volume capilar.


Como é feita a investigação da queda de cabelo?


A investigação começa com uma conversa sobre o início da queda, a evolução do emagrecimento e as mudanças ocorridas nos meses anteriores.


O
dermatologista pode avaliar:


  • Quanto peso foi perdido
  • Em quanto tempo ocorreu a perda de peso
  • Como está a alimentação
  • Se houve redução importante da ingestão de proteínas
  • Quando a queda começou
  • Se existe histórico familiar de calvície
  • Quais medicamentos estão sendo utilizados
  • Se houve doença, cirurgia, infecção ou estresse recente
  • Se existem sintomas no couro cabeludo
  • Se os fios estão apenas caindo ou também ficando mais finos


O exame do couro cabeludo ajuda a observar o padrão da queda, a densidade dos cabelos, a presença de inflamação e as características dos fios novos.


A dermatoscopia capilar, também chamada de
tricoscopia, permite ampliar as estruturas do couro cabeludo e auxilia na diferenciação entre eflúvio telógeno, alopecia androgenética, alopecia areata e outras condições.


Exames laboratoriais podem ser solicitados quando existe suspeita de anemia, deficiência nutricional, alteração hormonal ou doença da tireoide. Nem todos os pacientes precisam realizar os mesmos exames, pois
a investigação deve ser direcionada pelos achados clínicos.


É possível evitar a queda de cabelo?


Nem sempre é possível impedir completamente o eflúvio telógeno, mas alguns cuidados ajudam a reduzir o risco e a intensidade da queda.


Entre as medidas mais importantes estão:


  • Evitar perdas de peso excessivamente rápidas
  • Manter uma ingestão adequada de proteínas
  • Preservar a variedade e a qualidade da alimentação
  • Não realizar dietas extremamente restritivas
  • Corrigir deficiências nutricionais confirmadas
  • Manter acompanhamento médico durante o uso do medicamento
  • Procurar orientação nutricional individualizada
  • Informar ao médico quando o apetite estiver muito reduzido ou houver dificuldade para se alimentar


O acompanhamento integrado pode ser especialmente útil. O médico responsável pelo tratamento da obesidade acompanha a resposta ao medicamento, o nutricionista ajuda a ajustar a alimentação e o dermatologista investiga a saúde capilar quando há queda significativa.


O cabelo volta a crescer?


Na maioria dos casos de eflúvio telógeno,
o crescimento dos cabelos é retomado gradualmente após o controle do fator desencadeante.


A melhora não costuma acontecer de forma imediata. O ciclo capilar precisa se reorganizar, novos fios precisam iniciar a fase de crescimento e ainda levam tempo para ganhar comprimento e volume. Por isso, a percepção de recuperação pode demorar mesmo depois que a queda começa a diminuir.


O ritmo de recuperação varia conforme a intensidade e duração da queda, a velocidade do emagrecimento, o estado nutricional, idade, condições gerais de saúde e da presença de outras doenças capilares.


Quando existe alopecia androgenética ou outra condição associada, o crescimento pode não ocorrer de maneira satisfatória apenas com a estabilização do peso. Nesses casos, pode ser necessário tratar também a doença de base para preservar os folículos e recuperar parte da densidade capilar.


É preciso interromper a caneta emagrecedora?


Na maioria das situações, a queda de cabelo isolada não significa que o medicamento deva ser interrompido imediatamente.


A suspensão sem orientação pode prejudicar o tratamento
da obesidade, do diabetes ou de outra condição clínica para a qual a medicação foi prescrita. Além disso, interromper o medicamento não corrige automaticamente as causas nutricionais ou metabólicas envolvidas na queda.


A conduta deve considerar:


  • Intensidade da queda
  • Velocidade do emagrecimento
  • Estado nutricional
  • Benefícios obtidos com o medicamento
  • Presença de outros efeitos adversos
  • Existência de causas capilares associadas


O mais adequado é
informar o médico que acompanha o tratamento e buscar avaliação dermatológica quando necessário. A equipe pode ajustar a estratégia de emagrecimento, revisar a alimentação, investigar deficiências e tratar a queda sem suspender a medicação, sempre que essa conduta for segura e apropriada.


Quando procurar um dermatologista?


A avaliação dermatológica é recomendada quando a queda é intensa, persiste ou apresenta características diferentes de uma perda temporária e difusa.


Procure orientação quando houver
:


  • Queda em grande quantidade
  • Persistência do problema por vários meses
  • Redução visível do volume dos cabelos
  • Falhas arredondadas ou áreas sem fios
  • Afinamento progressivo
  • Alargamento da risca central
  • Recuo da linha frontal
  • Coceira, dor, vermelhidão ou descamação
  • Quebra intensa dos fios
  • Histórico familiar de calvície
  • Queda associada a cansaço, fraqueza ou outros sintomas


A
identificação precoce da causa ajuda a diferenciar um eflúvio temporário de condições que exigem tratamento específico. Essa avaliação também evita o uso indiscriminado de suplementos e produtos que podem não resolver o problema ou até dificultar a investigação.


Restou alguma dúvida?


  • As canetas emagrecedoras podem causar queda de cabelo?

    Podem estar associadas à queda, mas geralmente de forma indireta. O emagrecimento rápido, a redução da ingestão de nutrientes e o estresse metabólico costumam ter maior influência do que uma ação direta do medicamento nos fios.


  • Por que o cabelo cai durante o uso de canetas emagrecedoras?

    A perda rápida de peso pode alterar o ciclo capilar e fazer muitos fios entrarem antecipadamente na fase de queda. Esse quadro é chamado de eflúvio telógeno e costuma ser temporário.


  • Quanto tempo depois de começar a caneta o cabelo pode cair?

    A queda geralmente aparece de dois a quatro meses após o emagrecimento acelerado ou outro fator desencadeante. Esse intervalo ocorre porque o ciclo do cabelo responde de forma tardia às mudanças do organismo.


  • A queda pode começar quando o peso já está estabilizado?

    Sim. O ciclo capilar responde com atraso ao fator desencadeante, por isso a queda pode surgir semanas ou meses depois da fase de emagrecimento mais intenso.


  • Quais nutrientes podem estar relacionados à queda de cabelo durante o tratamento?

    Baixa ingestão de proteínas e deficiências de ferro, zinco, vitamina D, vitamina B12 e ácido fólico podem contribuir para a queda. A necessidade de suplementação deve ser avaliada individualmente.


  • Como evitar queda de cabelo usando canetas emagrecedoras?

    Manter alimentação equilibrada, ingestão adequada de proteínas, acompanhamento médico e nutricional e evitar dietas extremamente restritivas ajuda a reduzir o risco. Nem todos os casos podem ser completamente prevenidos.


  • Prender o cabelo ou lavar com frequência aumenta a queda causada pelo emagrecimento?

    Esses hábitos não costumam causar o eflúvio telógeno. Eles podem apenas tornar mais visíveis os fios que já estavam na fase de queda, embora penteados com muita tração possam provocar outros tipos de dano.


  • Como saber se a queda é eflúvio telógeno ou calvície?

    O eflúvio costuma causar queda difusa e repentina, enquanto a alopecia androgenética provoca afinamento progressivo dos fios em áreas específicas. As duas condições também podem ocorrer ao mesmo tempo.


  • A caneta emagrecedora pode apenas revelar uma calvície que já existia?

    Sim. O eflúvio telógeno pode reduzir temporariamente a densidade dos cabelos e tornar mais evidente uma alopecia androgenética que antes passava despercebida.


  • Quais exames podem ser solicitados para investigar a queda?

    Dependendo do caso, o médico pode solicitar exames para avaliar anemia, estoques de ferro, tireoide, vitaminas e outras alterações metabólicas. A escolha dos exames depende da história clínica e do exame do couro cabeludo.


  • É preciso parar a caneta emagrecedora por causa da queda de cabelo?

    Na maioria das vezes, não. A suspensão não deve ser feita por conta própria, pois é necessário investigar a causa da queda e avaliar os benefícios e riscos do tratamento com o médico responsável.


  • A queda de cabelo causada pelo emagrecimento é permanente?

    Na maioria dos casos, não. Quando se trata de eflúvio telógeno, os fios tendem a voltar a crescer gradualmente após a estabilização do peso e a correção dos fatores nutricionais ou metabólicos envolvidos.


  • A queda pode continuar mesmo depois de corrigir a alimentação?

    Sim. O cabelo responde lentamente às mudanças do organismo. Mesmo após corrigir deficiências e estabilizar o peso, podem ser necessários alguns meses para que a queda diminua e o volume comece a se recuperar.


  • Quando procurar um dermatologista por causa da queda de cabelo?

    A avaliação é indicada quando a queda é intensa, dura vários meses, provoca falhas, reduz visivelmente o volume ou vem acompanhada de coceira, dor, descamação ou afinamento progressivo dos fios.



Dermatologia clínica, estética e cirúrgica | Dra. Gláucia Labinas


A queda de cabelo pelas canetas emagrecedoras pode acontecer, mas geralmente está relacionada ao emagrecimento rápido, às mudanças metabólicas e às possíveis deficiências nutricionais, e não a uma ação direta do medicamento sobre os fios.
Diferenciar uma queda temporária de outras doenças do couro cabeludo é essencial para definir a melhor estratégia de tratamento.


Se a queda persistir, aumentar de intensidade ou vier acompanhada de outros sintomas,
vale procurar avaliação dermatológica para investigar a causa e orientar os cuidados mais adequados para o seu caso. Afinal, será que a sua queda de cabelo está realmente relacionada ao medicamento ou existe outro fator que merece atenção?


Eu sou a
Dra. Gláucia Labinas, especialista em  dermatologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), além de ser membro titular da SBD. Atuo em diversos ramos da dermatologia, como a área clínica, pediátrica, cirurgia dermatológica e tricologia. Acesse esse link e agende agora a sua consulta!


E continue acompanhando o
blog para saber mais como lidar com diversas condições dermatológicas.

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